Um projeto de estudantes de engenharia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Sorocaba (SP) pode ajudar a detectar tempestades com até 48 horas de antecedência e, assim, evitar enchentes devastadoras, como a ocorrida no Rio Grande do Sul em 2024 e que provocou inundações e deslizamentos de terras em 96% das cidades do estado.
O sistema, que ainda está em fase de testes, surgiu durante a disciplina de aprendizado profundo - ou deep learning, em inglês -, ferramenta que simula o cérebro humano com base em padrões e ensinamentos contidos em bancos de dados.
Ao g1, o aluno Matheus Lima explica que o "cérebro" do projeto foi alimentado - ou ensinado - com informações pluviométricas.
"Eu e meus colegas começamos, então, a explorar os dados de previsão de chuvas usando informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMet). Durante esse processo, identificamos alguns desafios específicos em relação à detecção desses eventos extremos e como tempestades muito fortes eram difíceis de ter uma previsão só com os modelos tradicionais."
Orientados pelo professor do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba (ICTS) Leopoldo André Dutra Lusquino, em parceria com o professor do Departamento de Engenharia Ambiental William Dantas Vichete, o grupo desenvolveu um sistema misto, capaz de combinar vários modelos de aprendizado e, dessa forma, aumentar a precisão da previsão de desastres.
"Isso permitiu que conseguíssemos alcançar cerca de 40% de acertos na detecção de episódios intensos de chuvas. Um resultado significativo", diz.
Durante dez meses, o grupo testou diferentes modelos de dados para chegar a um sistema estável de verificação.
"Realizei a leitura de vários artigos de detecção de eventos extremos, com o apoio dos professores Leopoldo e William. Eles me ajudaram na validação das ideias e superação de obstáculos técnicos que encontrei. Durante esses estudos, consegui desenvolver um conjunto de etapas, tornando possível transformar uma proposta inicial simples em um projeto capaz de prever chuvas extremas com consistência", comenta.Uma vez funcionando, o sistema será capaz de identificar a formação de chuvas e enviar avisos à população e à Defesa Civil com 48 horas de antecedência, tempo hábil e seguro para as pessoas se protegerem.
Agora, o próximo passo do sistema é aplicar simulações com dados históricos de Sorocaba para verificar a precisão antes de pôr em prática o funcionamento.
O projeto foi apresentado no II Seminário de Pesquisa Interna, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), e no I Simpósio de Ciências Atmosféricas (SiCAm), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde um meteorologista e um especialista em gestão de riscos deram mais informações para a aprimoração do projeto.
Matheus acredita que, com esse projeto, será possível salvar vidas de potenciais vítimas desses eventos climáticos extremos, cada vez mais corriqueiros no Brasil e no mundo. Para tanto, segue aperfeiçoando a ideia para que fique mais precisa e confiável.

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