O petróleo subia mais de 2% nesta segunda-feira (30) e passou a ser negociado próximo a US$ 115 por barril. Com isso, o produto caminha para encerrar o mês com uma valorização de 59%, a maior desde 1990.
- 🔎 O petróleo Brent, referência global, chegou a US$ 116,5 o barril nas primeiras horas de negociação desta segunda-feira (ainda na noite de domingo no horário de Brasília). Por volta das 9h10, avançava 2,07%, a US$ 114,90. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,68%, para US$ 101,31.
cara afeta diversas cadeias produtivas
A interrupção do tráfego no estreito já provocou alta em diversos produtos ligados à energia e à indústria.
Os preços de petróleo, gás natural, fertilizantes, plásticos e alumínio subiram, assim como os combustíveis usados em aviões e navios. O encarecimento dessas matérias-primas tende a se espalhar pela economia, elevando custos de transporte e produção.
Com isso, analistas também esperam aumentos em itens como alimentos, medicamentos e produtos petroquímicos.
O alumínio, por exemplo, atingiu o nível mais alto em quatro anos após ataques aéreos iranianos contra dois grandes produtores do Oriente Médio durante o fim de semana.
Impacto maior para economias asiáticas
A Ásia é considerada uma das regiões mais expostas à crise energética, já que depende fortemente das importações de petróleo do Golfo.
Refletindo essa preocupação, o índice MSCI que reúne bolsas da região Ásia-Pacífico — excluindo o Japão — caiu 1,8% nesta segunda-feira.
Segundo Bruce Kasman, economista-chefe global do banco JPMorgan, o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz pode pressionar ainda mais os preços.
“Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução dos estoques disponíveis de energia”, afirmou.
Ele estima que, se a passagem permanecer bloqueada por mais um mês, o petróleo poderia se aproximar de US$ 150 por barril, além de provocar restrições no consumo de energia por parte da indústria.
Juros e dólar entram no radar dos investidores
A alta do petróleo também aumenta as preocupações com a inflação global — ou seja, com o aumento generalizado de preços.
Diante desse cenário, investidores passaram a prever que os juros possam permanecer elevados por mais tempo em diversos países.
Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, deve comentar o cenário econômico em um evento ainda nesta segunda-feira. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, também fará declarações.
Ao longo da semana, dados sobre vendas no varejo, atividade industrial e geração de empregos devem oferecer novas pistas sobre o ritmo da economia americana.
A turbulência nos mercados costuma favorecer o dólar, considerado a moeda mais utilizada nas transações internacionais e, por isso, visto como um ativo mais seguro em momentos de incerteza.
O índice do dólar, que mede o valor da moeda americana frente a uma cesta de outras divisas, operava próximo da máxima em dez meses, em 100,25 pontos.
No Japão, porém, alertas de autoridades sobre possível intervenção no mercado cambial fizeram o dólar recuar 0,5%, para 159,5 ienes. Na semana passada, a moeda americana havia ultrapassado a marca de 160 ienes, o maior nível desde julho de 2024.
Já o euro era negociado a US$ 1,1493, ligeiramente abaixo do registrado anteriormente no mês.

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