Na quarta-feira, 3 de setembro, por volta das 18h05, o cabo de segurança do bondinho se rompeu, fazendo com que o carro número 1 descesse desgovernado pela Calçada da Glória, atingindo um prédio próximo ao fim da ladeira. O outro carro, que seguia em sentido contrário, deslizou cerca de um metro, mas permaneceu preso nos trilhos.
Das 38 pessoas envolvidas, 15 morreram no local e duas outras sucumbiram aos ferimentos durante a noite, elevando o total de vítimas fatais para 17. O número de feridos foi estimado em 21.
Entre os mortos está André Marques, o guarda-freio do bondinho. Testemunhas relataram cenas de terror, descrevendo o veículo “fora de controle”, descendo com velocidade “brutal” antes de colidir com o edifício com um estrondo “como uma caixa de papelão”.
Repercussão oficial e medidas adotadas
O governo declarou luto nacional, enquanto Lisboa viveu três dias de luto municipal. O prefeito Carlos Moedas classificou o episódio como “uma tragédia sem precedentes”, e o Primeiro‑Ministro Luís Montenegro prometeu uma investigação rigorosa.
Como medida de precaução, as demais linhas de bondinho da cidade – Bica, Lavra e Graça – foram suspensas para inspeções técnicas completas.
Investigação em andamento
A apuração das causas está a cargo de várias instâncias:
-
Ministério Público abriu inquérito;
-
Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF);
-
Polícia Judiciária;
-
Transportadora Carris (operadora do bondinho) conduz investigação própria;
-
Maiores investigações técnicas e independentes foram requisitadas.
O GPIAAF informou que, devido à falta de pessoal, iniciou as diligências no dia seguinte ao acidente (4 de setembro) e prevê divulgar uma nota preliminar em cerca de três dias.
Relatórios preliminares indicam possível falha no cabo de tração e problemas nos freios, conforme as primeiras observações no local e relatos de fontes do sindicato Fectrans, que já tinham alertado sobre tensão inadequada do cabo afetando a frenagem.
Por outro lado, a Carris assegura que todos os protocolos de manutenção — diários, semanais, mensais e gerais — foram rigorosamente cumpridos, com a última manutenção intermediária realizada entre 26 de agosto e 30 de setembro de 2024, e a geral em 2022.
Um símbolo que caiu
O Elevador da Glória, em operação desde 1885 e classificado como monumento nacional, transportava cerca de 3 milhões de passageiros por ano, entre turistas e moradores de Lisboa. O acidente representa não apenas uma enorme perda humana, mas também um abalo na confiança no patrimônio e nos sistemas públicos de transporte.

Comentários: